Me
  Se o remédio pra minha dor for esquecer sua existência,acho que continuarei nesse suicídio lento,porque me livrar de você é masoquismo,já que seria mutilação arrancar uma parte de mim.Não interessa se é com um olhar,pensamentos,sonhos ou somente desejos,me alimento do seu amor diariamente,talvez seja platônico demais...Tão platônico,que acabo criando uma versão sua visível somente em meus olhos.
 Como diria Clarice Falcão, "Me deixa ser quem passa a calça, que você precisa usar, no seu jantar à luz de velas com alguém...Me deixa ser quem deixa vocês dois de carro em um restaurante caro só não deixa eu ser ninguém na sua vida"... Eu queria tanto que você não fugisse de mim,mas se fosse eu,eu fugia...
Me
  Eles morreram,nem pude me despedir,sem nenhum drama nem ilusão de conto de fadas,engoli o choro e o medo,peguei aquelas cabeças do chão que um dia já foram cheias de sonhos,deitei sobre aqueles corpos jogados ao chão que dentro tinham balas,mas que já foram cheio de energia,e gritei para mim "A Guerra Acabou"!.Deitado sobre sonhos e sangue,a dor dividía lugar com o alívio,de que o demônio que causou toda aquela guerra nunca mais voltasse,mas descobri que meu assassino não seria aquele demônio,e sim um que mora dentro de mim,que me causa dor e faz meu sistema entrar em conflito.Em um resumo,meu inimigo não era alguém que eu via diante de mim,era alguém que estava preso a mim,acorrentado,que no vazio ou no silêncio,aplicava em mim suas teorias e seu sadomasoquismo,me prendia em correntes,queria meus gritos agonizantes,pra encher suas veias de morfina,e continuar vivo na sombra do meu medo.Com os cavalheiros mortos,tive de aprender a viver com esse meu alguém que vejo no espelho,tive de ser minha única companhia,meu único pecado,minha única virtude,meu único inimigo.
Me
  Não conheço os anjos,até hoje,nunca vieram me beijar antes da meia noite,talvez por eu ser forte demais e não precisar de suas espadas,talvez por eu ser impuro demais e os contaminar com minhas palavras ácidas.Pode ser,que algumas vezes,alguns anjos se aproximaram de mim e morreram com a minha aurea tóxica,ou as vezes,eu sou tão invisível,que nem mesmo os anjos me captam em seus radares,só o que posso fazer,é continuar de joelhos,com meu terço na mão e minha cruz nas costas,esperando por uma luz,nesse vale de lágrimas,mas a grande questão,é que nunca vi um anjo,então não posso ser culpado de ser tão frio,se não sei o que é o calor.Quando estou mentindo,quando sou apenas um sórdito sujo escravo para eles,sou um ser invisível,algo despresível até mesmo de ser morto por suas mãos de ouro,mas se sou eu mesmo,se quebro as correntes e tento ser livre,minha cabeça é caçada em troca da satisfação da ignorancia,de um povo que diz acreditar em um Deus que é amor,mas que tratam seus irmãos com dor.Se eles são a perfeição,eu prefiro mil vezes mais ser uma aberração,se o que eles fazem comigo é amar,prefiro mil vezes mais ser crucificado como a grande besta filha do demonio que veio a terra pra perdição.Lá dentro,só o que eu queria,era poder ser livre,poder amar sem pecar,poder estar vivo e viver.
Me
  Dançando no escuro,onde me escondo da cruel verdade,e Me iludo da doce mentira,anestesias me livram da dor,mas não perdoam as cicatrizes,que continaum a me lembrar de um inferno de qual ainda não saí,mas que escondo de meus olhos,os cobrindo com um lençou,e dentro dele,crio um mundo no qual eu possa dançar,e finalmente ser jovem.Aos poucos,vou perdendo o medo e me despindo de todos os tecidos de quais eu cobria meu corpo,cobria minhas cicatrizes,e conforme a seda passa pela minha pele,vejo que minhas cicatrizes são apenas medalhas,medalhas de batalhas pelas quais eu já passei,batalhas das quais saí vivo,medalhas de que o que não me mata me deixa mais forte.Mas mesmo querendo abrir minha janela,e ver o mundo lá fora,sem mantas e livre,ainda tenho medo,pois minha cabeça é cobiçada,muito cobiçada pela ignorancia,que a quer em uma bandeja de prata,cervida com muito vinho e sorrisos sádicos,a pessoas ignorantes que não aceitam meu jeito de amar.Mas mesmo com medo de toda a dor que ainda virá,ando descalço em uma calçada de cacos de vidro,pois a dor vai nos moldando,como um manequim,e aos poucos nos deixando cada vez mais fortes,e com cada vez mais força,mais sabedoria e mais dor,um dia serei indestrutível,a prova de balas,e seu amor corrozivo não poderá mais entrar pelos meus ouvidos e corroer meus sentimentos,nem meu coração,e aí não irei mais chorar...