Me
  Eles morreram,nem pude me despedir,sem nenhum drama nem ilusão de conto de fadas,engoli o choro e o medo,peguei aquelas cabeças do chão que um dia já foram cheias de sonhos,deitei sobre aqueles corpos jogados ao chão que dentro tinham balas,mas que já foram cheio de energia,e gritei para mim "A Guerra Acabou"!.Deitado sobre sonhos e sangue,a dor dividía lugar com o alívio,de que o demônio que causou toda aquela guerra nunca mais voltasse,mas descobri que meu assassino não seria aquele demônio,e sim um que mora dentro de mim,que me causa dor e faz meu sistema entrar em conflito.Em um resumo,meu inimigo não era alguém que eu via diante de mim,era alguém que estava preso a mim,acorrentado,que no vazio ou no silêncio,aplicava em mim suas teorias e seu sadomasoquismo,me prendia em correntes,queria meus gritos agonizantes,pra encher suas veias de morfina,e continuar vivo na sombra do meu medo.Com os cavalheiros mortos,tive de aprender a viver com esse meu alguém que vejo no espelho,tive de ser minha única companhia,meu único pecado,minha única virtude,meu único inimigo.